O personagem principal, Theodore Twombly é um autor de cartas (lindas, por sinal), que está imerso na solidão após o divórcio com a mulher com quem ele dividiu não só os laços matrimoniais, mas toda a sua vida. Seu cotidiano se divide entre o trabalho, jogos de video game (que nos garante risadas estrondosas) e pornografia.
Eis que, por fim, ele compra um Sistema Operacional que atua como uma inteligência artificial, um computador com consciência própria, por assim dizer: Samantha (Scarlett Johansson), dona de uma voz doce, rouca e sensual que conquistaria qualquer um .
A partir dai, o filme toma cor.
É possível se apaixonar por alguma coisa que parece real mas não é? Nessa película, nós descobrimos que sim. O relacionamento de Samantha e Theodore surge como uma amizade incomum e vai se desenvolvendo como qualquer laço afetivo.
O mais interessante, ao meu ver, foi o desenvolvimento do relacionamento maquina/humano com todas as características peculiares do nosso comportamento: primeiro vem a descoberta, as risadas, a paixão, o amor, o ciúme e por fim a dor da separação. Além do desenvolvimento "psicológico" de Samantha: será que todas essas sensações que ela sentia eram reais, ou apenas fruto de programação? Infelizmente essa incógnita fica à critério do telespectador.
O filme nos traz questionamentos sobre a evolução da espécie. Será que tanta tecnologia é sinônimo de evolução? Vamos nos perder como seres afetivos?
Além de enredo maravilhoso, da trilha sonora equivalente e atuação sensacional de Joaquin Phoenix, o filme está cheio de frases maravilhosas.
Her, simples como o proprio nome, se tornou um dos meus filmes preferidos.
Curiosidades :
1- Troca de vozes
Quem faria a voz originalmente da personagem Samantha seria a atriz Samantha Morton, que atuou em “Minority report”, de Steven Spielberg, e “Poucas e boas”, de Woody Allen. Ela chegou a gravar e esteve presente no estúdio diariamente com Joaquin Phoenix, mas quando o diretor Spike Jonze foi editar, não ficou satisfeito. Com o consentimento da atriz, ele convocou Scarlett Johansson para substituí-la. O nome de Jennifer Lawrence chegou a ser cogitado
2 - A construção de um cenário futurista
Para projetar a Los Angeles de um futuro próximo, Spike Jonze deixou voar a imaginação. Com a ajuda do diretor de arte KK Barett, misturou elementos da cidade americana com outros do distrito de Pudong, em Xangai. As ruas são tomadas por arranha-céus, todos eles interligados por passarelas. Jonze também pegou dicas da arquiteta Elizabeth Diller, cuja empresa está projetando o novo museu de arte contemporânea de Eli Broad, no centro de L.A..
3 - Trilha Sonora Canadense
Indicada ao Oscar, a trilha sonora de “Ela” foi composta pela cultuada banda canadense Arcade Fire. A relação do diretor com os músicos vem de longe — Jonze já dirigiu o curta “Scenes from the suburbs”, em parceria com o grupo. As gravações da trilha foram feitas no Canadá em clima bem informal. Todos assistiam às cenas do filme e, quando alguém tinha uma ideia, pegava qualquer instrumento à mão e começava a tocar.
4 - Oscar
O filme que conta com a presença de Joaquin Phoenix, Amy Adams,Rooney Mara, Olivia Wilde, e Scarlett Johansson concorreu aos Oscars de Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original e Melhor Roteiro. Vencendo o Oscar e Globo de Ouro de Melhor Roteiro.
Frases do filme:
-"Apaixonar-se é uma coisa louca
É uma espécie de loucura social... permitida."
- "Às vezes eu penso que eu já senti tudo o que eu deveria sentir. E à partir de agora, eu não vou sentir mais nada novo. Apenas versões menores do que eu já havia sentido". (Theodore)
"Nós estamos aqui apenas brevemente. E nesse momento eu quero me permitir ser feliz".
Nota: 10

