segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Filossofá

Certa vez me perguntaram o motivo de atualizar um blog. Bom, por mais “obsoleta” que esta ferramenta tenha se tornado, sempre me agradou a ideia de escrever meus pensamentos. Mesmo os mais bobos e, até mesmo, os irrelevantes. Tento de alguma forma pensar que meu senso de humor possa agradar alguém. Talvez sim, talvez não. O fato é que morro de curiosidade de saber quem são as 5 pessoas da Ucrânia que vez ou outra aparecem na lista de visitantes.

 Entre meus amigos não há muitos leitores. Sim, existem os que habitualmente leem frases soltas de Caio Fernando de Abreu e automaticamente se denominam cultos. Não critico (mentira, critico sim... e muito), mas sempre achei importante a leitura na vida de uma pessoa. Tenho a impressão de que todos nós somos um pouco parecidos. Vivemos a mesma lida na vida: sofremos, amamos,sorrimos e nos frustramos. E tudo acontece de forma cíclica. Você vive as mesmas coisas de formas diferentes e acaba nem percebendo. Uma válvula de escape, um universo paralelo, um portal que se abre. Um livro te proporciona uma saída.

 Quando completei 12 anos, minha mãe achou importante que eu desenvolvesse o hábito pela leitura, o que sou eternamente grata. “Ritinha Temporal” do autor José Louzeiro foi meu primeiro exemplar. Lembro-me de chegar da escola e passar horas deitada no chão do escritório e ficar completamente envolvida na trama. Não sei o porquê da preferência de tal lugar pra ler, mas isso era o de menos. Eu estava absorta em meio à trama, aos personagens, ao cenário. Estava vivendo aquela história. Eu era Ritinha. E aquela experiência com o irreal, com a ficção, foi tão intensa que percebi a minha relação com a palavra de forma escrita seria um laço que nunca seria desfeito. Percebi que o livro era quase uma extensão anatômica minha. E talvez seja por isso que decidi começar a escrever alguns contos, textos e crônicas.

Essa possibilidade de me transpor para o irreal, de perder meus limites, era fascinante demais para ser deixada de lado. Um simples livro me proporcionou uma epifania. O mais engraçado é que eu só tinha 12 anos. E isso faz um perfeito sentido para mim.

 Nunca entendi o fato de algumas pessoas se limitarem por vontade própria quando o mundo te oferece tantas opções.
Meio louco!