
Não lembro o momento exato em que a vontade me ocorreu, mas o fato é que estou suficientemente inspirada para me dar o trabalho de vir escrever alguma coisa sobre a minha vida. Nada tão intimista assim e nem tão revelador (isso aqui ainda não é um diário), apenas uma tentativa (quase frustrada) de me manter ocupada (escrever me causa um bem danado).
Primeiro, despretensiosamente, gostaria de acrescentar que esse post não tem nada de tão interessante assim e muito provavelmente você não irá perder seu tempo lendo até o final. Mas eu ainda acredito na boa fé das pessoas.
Eu bem que gostaria de ter o intelecto pra falar sobre política, economia, a crise mundial, a gripe suína que não é mais suína, mas não me atrevo a falar de nada disso. Então me atenho a escrever de algo que eu entendo ( ou pelo menos acredito que entendo): música.
Enfim, estava eu assistindo o dvd do Elvis que eu ganhei de uma amiga muito especial deitada na minha cama e pensando no quanto eu idolatro este homem. Fotos, músicas, vídeos, dvds, porta-treco, quadros, xícara, cinzeiro. Eu me sinto feliz com isso, mas às vezes me sinto idiota. Qual a finalidade disso tudo afinal? Que importância ele teve pra mim se eu nunca ao menos o vi? Juro que não sei!
O fato é que estou presa nesse meu vício. No começo eu não percebia que estava me tornando dependente daqueles quadris salientes. Era tudo uma coisa de querer pertencer a alguma coisa. Tipo nerds que são fãs de Star Wars e vão pra convenções e tudo mais. Nada contra nerds que curtem Star Wars e vão pra convenções, acho ótimo! Força na espadinha, colegas. Mas admitam... É um pouco patético não é? Mas pra eles não! Nem pra mim.
Depois de estar completamente dominada pelo rebolado do homem do Blue Suede Shoes, veio a obsessão material. Querer ter tudo que lembrava o Rei do Rock era algo fundamental pra mim. Rios de dinheiro foram gastos em besteirinhas: bottons, camisetas, adesivos, fotos etc. Arrependimentos? Not at all.
O tempo foi se passando e comprar um ou dois objetos por mês acabou virando um ritual. Eu ganhava minha mesada, juntava e puff, comprava. Não me lembro bem quando comecei a me arrepiar de felicidade só de ver o rosto dele estampado nas minhas coisas.O vício já era tão absurdo que eu chegava até a sonhar com ele.
Mas vida de viciada pobre é uma desgraça mesmo. Parece até aquela musiquinha da ‘Dona Aranha’. Lembram? Não? Deixe-me refrescar vossas memórias:
‘ A dona aranha subiu pela parede, veio a chuva forte e a derrubou’...
Custava deixar a pobre da dona aranha chegar no final da parede feliz? Não, alguma merda tinha de acontecer. Enfim, custava me deixar ser feliz com minhas tranqueiras sozinha? Não... Maldita lei de Murphy que me persegue. Resumindo: me mudei e perdi tudo na mudança.
Talvez até tenha sido algo positivo, porque desde então eu tinha parado com esse meu vício ridículo. Mas eis que alguns anos depois (digo agora em 2009) eu entro numa loja e tudo que tinha lá era relacionado a Elvis.
Bom, meu sangue é fraco. Minha mente também. Mas agora eu não vivia mais apenas de 60 reais de mesada. Gastei o dinheiro que eu tinha e o que eu não tinha. Continuo não me arrependendo de nada. Não sei o valor do dinheiro quando o assunto é Elvis Presley.
Então não sou mais a pessoa que, depois de superar um trauma, escolhe se vai continuar ou não com o vício. Eu TENHO que continuar com ele, é quase como um legado meu. Quero que meus filhos saibam a importância que o rock tem pra mim e quero que seja importante pra eles também. E quer saber? Eu não me importo se possa parecer ridículo, me agrada. Eu poderia começar a pensar em ‘getting a life’. Mas eu até gosto dessa minha vidinha nada interessante. Porque como eu disse anteriormente:nem tudo é tão interessante assim.